O Brasil e a Gestão da Inovação

Por Tiago Bezerra

Nos últimos anos, por não dizer décadas, a realidade do desenvolvimento de nosso país tem sido um enorme desafio a ser superado. Os problemas enfrentados são muitos, como a tão falada crise econômica, que parece nunca ter fim, e uma série de outras questões que impedem o progresso do Brasil. É, parece que se tornar uma nação realmente desenvolvida não é uma tarefa tão fácil.

O fato é que muitas frentes têm trabalhado visando se preparar para a “sociedade do conhecimento”, e isso pode ser muito vantajoso para todos nós. Estão sendo traçadas estratégias que buscam combinar aspectos como a educação de qualidade, as pesquisas científicas, a inovação e a inclusão social.

A “Era da Inovação” ao redor do mundo

Para a gente compreender melhor a situação, vamos relembrar um pouquinho de história:

A primeira Revolução Industrial aconteceu na Inglaterra, em meados do século XVIII, com a chegada do ramo têxtil. Já a segunda, ocorreu por volta de 1870, com o fenômeno do desenvolvimento técnico no trabalho. Foi o tempo da chegada dos automóveis, com as produções em série e em massa. Para ficar mais fácil de contextualizar, tente se lembrar das cenas do filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin. As imagens de Carlitos parafusando freneticamente tudo o que via pela frente, além de icônicas e cheias de humor, também eram uma crítica absurda ao sistema industrial da época, que transformava homens em máquinas.

Pode até parecer que, depois disso, tudo estava perdido, mas era (e ainda é) preciso ter fé na evolução. Após a considerável ampliação dos processos de produção industrial, as portas para muitas vertentes do conhecimento científico não foram as únicas coisas que se abriram. Abriu-se também a mente das pessoas! É por isso que chegou a vez da chamada “Era da Inovação”, período também conhecido como a “terceira revolução industrial”.

Foto: communitytable

No início, as grandes inovações tecnológicas que movimentam o mercado atual estavam diretamente relacionadas a apenas um pequeno grupo de países, que encabeçaram o desenvolvimento científico. São eles: Estados Unidos, Japão e as principais economias da Europa, com destaque para a Alemanha. Num segundo momento, a estratégia foi expandida também à China e à Coreia.

Este cenário caracterizou o progresso técnico destas nações, não apenas modificando seus padrões de atuação, mas também aumentando sua produtividade consideravelmente, além de reduzir seus custos. A consequência não podia ser outra: o mercado global sofreu divergências que o tornaram desigual. Reflexo desta realidade é o crescimento da competitividade entre este núcleo mais avançado e as economias menos desenvolvidas, que raramente conseguem caminhar na mesma velocidade.

Países como o Brasil têm que se esforçar muito para conquistar avanços e acompanhar o ritmo da economia mundial. A realidade brasileira é relativamente confortável, se comparada a outros países, mas, ainda assim, não é imune às dificuldades no panorama internacional. As mudanças tecnológicas acontecem em velocidades incrivelmente altas e, portanto, nossos profissionais trabalham na busca pelo conhecimento técnico e científico em áreas estratégicas.

As frentes pelas quais o Brasil ataca

O primeiro passo é também o mais importante: a aproximação entre a ciência e a educação. Este casamento é primordial para a popularização da ciência, ensinando desde cedo as nossas crianças a importância de se lutar por um país mais desenvolvido. Também foi visando o amadurecimento das ideias e a tomada de decisões eficientes para as estratégias de ação que começaram a acontecer as Conferências Nacionais de CT&I (Ciência, Tecnologia e Inovação). Os encontros servem para determinar quais são as áreas nas quais podemos progredir e desenvolver um projeto conjunto.

Um procedimento que vem se destacando no cenário internacional é a Estratégia de Lisboa, aprovava pelo Conselho Europeu, em Portugal, em março de 2000. O objetivo era de transformar a economia da União Europeia na “sociedade do conhecimento” mais potente e competitiva do mundo, melhorando a capacidade e quantidade de empregos e uma maior igualdade social no país. A proposta do projeto é trabalhar as dimensões social, econômica e ambiental da nação, contando com o auxílio do governo, em busca do desenvolvimento sustentável.

No Brasil, a CT&I traz como meta uma intenção parecida, a democratização da ciência e da tecnologia através da inclusão social. Seriam criadas condições para que todos os habitantes do país pudessem ter acesso a uma vida digna, saúde e educação, se tornando indivíduos aptos ao pleno exercício da cidadania, dotados de conhecimentos e participantes ativos na política. Conhecendo a ciência logo de cara, no ensino básico, os brasileiros poderiam, então, compreender este universo e ampliar suas oportunidades no mercado de trabalho.

Foto: tecnotendencias

A ciência no mundo moderno

O mundo moderno requer que a ciência e a tecnologia sejam conteúdos intrínsecos, de modo que as pessoas saibam seus resultados, métodos e usos. Isto é, estes assuntos passaram a ser considerados atividades humanas culturais e sociais. Existem, inclusive, projetos governamentais que apresentam resultados positivos em parcerias com empresas privadas e universidades. Dois exemplos são a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), voltada às inovações tecnológicas na geração de conhecimentos e tecnologias para a agropecuária, e o Plano Inova Empresa, programa que, por meio de editais, investe em instituições privadas de forma direta ou por meio de fundos.

Estimular estes setores é a principal estratégia brasileira em CT&I para superar o hiato que separa nossa nação de outros países mais desenvolvidos científica e tecnologicamente. É a maneira de se incorporar o progresso técnico à produção do Brasil, mas deve haver a atuação compartilhada dos setores públicos e privados, contribuindo para um objetivo em comum: a evolução da pátria.

O que falta para isso tudo dar certo é a noção de que se “eu” não cresço, “você” também não. O progresso só vem com trabalho em equipe, e não com pensamentos egocêntricos. Portanto, vamos fazer nossa parte de incentivar o estudo e a pesquisa, sem boicotes à criatividade. Esta é a única saída para que, juntos, vençamos as crises, saiamos do buraco e cheguemos ao mesmo patamar das nações que compõem o “Primeiro Mundo”.

 

Data: 15/12/2015

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